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Sandra Pêra
A ex-Frenética Sandra Pêra resolveu contar em livro a história do grupo que animou a música brasileira no final da década de 70.
Como surgiu o desejo de escrever um livro contando a história das frenéticas? A jornalista Ivone Parente, grande amiga minha, ao ouvir as muitas histórias da época das Frenéticas sempre dizia que aquilo tudo que nós vivemos era material para um bom livro. A idéia foi amadurecendo até o dia que eu criei coragem para escrever a nossa história.
Por que não escolher alguém para escrever este livro e escrevê-lo você mesma? Inicialmente, a idéia era que uma pessoa de fora escrevesse o livro. Gravei em áudio algumas memórias e pedi para que transcrevessem o material. Essa pessoa entendeu muitas coisas de forma errada. Não compreendeu minhas falas, minha pontuação, minhas gírias. Assim que a transcrição terminou, percebi que para que a idéia saísse do papel eu é que deveria escrever a biografia das Frenéticas.
O que é mais difícil: escrever um livro ou subir no palco? Não acho que escrever um livro ou subir no palco seja difícil. Acredito que existem muitas outras coisas mais difíceis dos que as que já fiz. Gosto muito destas minhas duas experiências, pois foram e são muito desafiadoras.
As Frenéticas marcaram uma geração oprimida pelos padrões da ditadura militar como um ícone de irreverência. Como foi esta experiência e que artistas hoje representam este tipo de libertação? Tudo o que nós vivemos e representamos na época, naquele momento não era visto. A consciência de que éramos um ícone de irreverência só chegou tempos depois. Tudo para nós era inédito e impensado. Foi um sucesso espontâneo e natural. Acredito que esta naturalidade e esta certa inocência acerca do nosso sucesso é que fez das Frenéticas um fenômeno do período.
Acho que esta coisa da irreverência se perdeu bastante. Eu via a Cássia Eller como um grande ícone de irreverência e espontaneidade, mas, infelizmente, ela não está mais conosco. Hoje, citaria a Mart’nália, mas ela não tem a mesma imagem da Cássia.
Qual episódio das Frenéticas que mais te marcou? Gosto muito de lembrar de dois episódios da época das Frenéticas. O primeiro deles aconteceu uma vez quando estávamos na estrada, viajando para uma cidade de interior. Nosso ônibus não tinha banheiro e como estávamos muito longe de uma parada. O motorista encostou próximo a uma casinha bem humilde, onde pediríamos para usar o banheiro. Quando abriram a porta da casa, na vitrola daquele humilde lugar, estava tocando o nosso disco. As jovens dentro da casa começaram a gritar pois as Frenéticas bateram à porta delas. E nós gritávamos pois aquele momento de reconhecimento foi mágico.
Outro momento muito marcante foi a nossa apresentação no Maracanã. Estávamos no centro do maior estádio do mundo, com todos os lugares lotados, cantando em coro as nossas músicas. Ver o Maracanã daquele jeito e saber que tudo aquilo era por nós foi inesquecível.
O livro conta histórias sob a ótica de todas as Frenéticas?
Não. O livro conta o meu ponto de vista. Eu falo das Frenéticas usando as minhas lembranças. Mas acredito que a história foi bem contada, pois todas elas leram o livro e gostaram.
Você é uma escritora de primeira viagem. Como foi a recepção da crítica e da mídia? A recepção não poderia ter sido melhor. Recebi muitos elogios. É sempre bom ter sucesso em um trabalho que me empenhei para fazer. Gostei muito de escrever e já estou louca por um próximo livro, mas preciso esperar um tempo, amadurecer uma idéia. Tenho vontade de escrever novamente, mas só se for sobre alguma coisa que eu realmente esteja envolvida. Assim é bem mais prazeroso!
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