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Rodrigo Faour é jornalista, escritor, crítico, produtor e pesquisador musical. Nascido em 1972, desde a infância é colecionador de discos e publicações com ênfase na MPB. Possui arquivo pessoal com cerca de 70 mil músicas catalogadas e um vasto clipping de matérias de imprensa. Já publicou três livros e tem seu nome em mais de 250 CDs, entre compilações e reedições produzidas por ele ou com textos assinados. Em maio de 2008, estreou o programa "Sexo MPB" aqui na MPB FM. Mais informações no site www.rodrigofaour.com.br
Rodrigo Faour
22.03.2009
Queridos ouvintes
O Sexo MPB abre a partir desta segunda, 16 de março, a nova temporada, após merecidas férias. Volto com força total, apresentando deliciosos temas, como "Fetiches" (em duas partes", "O poder feminino das divas da MPB" (apresentando canções feitas em sua homenagem), "Duplo Sentido" e também programas especiais enfocando um artista que tenha uma obra focada em temas de amor, sexo e comportamento. O horário vocês já sabem, de segunda a sexta-feira, à meia-noite, e sábados, às 22h.

Continuem participando e enviando perguntas, dúvidas e sugestões neste blog.

Um beijão,
Rodrigo
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12.11.2008
Sexo MPB - A Festa
Queridos ouvintes,

E lá se foram seis meses de Sexo MPB... E graças a vocês, triplicamos a audiência da MPB FM no horário do programa. Vamos comemorar com a FESTA SEXO MPB, que terá algumas edições durante este verão. A de estréia será quarta-feira, dia 19, no Atlântico (Av. Atlântica 3.880, esquina com Francisco Sá), a partir das 22h. O tema da festa de abertura será “Negão – O Homem Fetiche” (tema também do programa nesta semana, até dia 15) e meu convidado será o nosso querido Deus do Ébano, e adorável cantor Toni Garrido. Lá faremos um divertido happening. Com a ajuda do DJ Yuri, vou tocar também músicas de negões famosos da MPB e lá pelas tantas vai rolar o surubão musical, com músicas de negões estrangeiros bacanas. Mas a predominância será de nossa boa, amada e quente MPB. Na ocasião haverá projeções de vídeos sexies a cargo do VJ e diretor de TV Jodele Larcher. Conto com a presença de todos! Vai ser abalante, mas só se vocês me derem o prazer da presença...

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18.08.2008
Caymmi – o último gênio da velha guarda


Venho aqui deixar minha reverência a Dorival Caymmi. Um sujeito que tinha um coeficiente de fofura e encanto que poucas vezes tive a chance de ver num ser humano. No primeiro evento profissional que participei na vida, como estagiário, o SP “Show Festival”, no Anhembi, em 1991, tive a chance de fazer pessoalmente uma pequena entrevista com ele, em meio aos intervalos de um belíssimo show da Família Caymmi. Neste mesmo dia, conheci Nana e sua filha Stella, pessoas que foram muito bacanas comigo, especialmente no começo de minha carreira. Depois, ajudei Stella a levantar a discografia de Dorival, para a biografia que ela estava para lançar (“O mar e o tempo”). Ainda, por seu intermédio, no final dos anos 90, consegui uma entrevista exclusiva, linda com ele, que publiquei na Tribuna da Imprensa, na minha fase de repórter daquele jornal.

Dorival, como sempre, só tinha palavras doces, delicadas, educadas para se referir a tudo e a todos. E ainda que elogiasse sempre as recriações de sua obra feitas por João Gilberto na virada dos anos 50 para os 60, sempre dizia sem falsa modéstia ser o melhor intérprete de suas canções. Com toda razão. Caymmi tinha um jeito de interpretar (com sua voz de trovão) e de tocar seu violão – moderníssimo para a sua época, diga-se de passagem – que realmente faziam dele um intérprete ímpar, absoluto. Claro que muita gente cantou bem suas canções. Gal e Nana, por exemplo. Mas Dorival é Dorival.

Pessoalmente, gosto demais do LP “Caymmi e seu violão”, de 1957. É um disco em que ele cantava suas canções praieiras, acompanhando-se apenas de seu violão. Posso dizer sem medo do exagero que ouvir este LP já editado em CD, sem ruídos, foi uma experiência mística para mim. A gente sente ali algo mais que um cantor, um compositor ou um músico. Parece mesmo uma interação com a natureza bruta e o cosmos. É impressionante.

Gosto muito também de seus sambas-canções, da fase em que viveu intensamente a boemia de Copacabana, do final dos anos 40 aos 50. “Sábado em Copacabana”, “Nunca mais”, “Não tem solução”, “Nesta rua tão deserta”, “Só louco”... Um desses sambas-canções toquei na semana de sua morte no meu programa e, como foi reprisado neste último sábado, acabou calhando de ir ao ar justo no dia de sua morte. Que bom. O destino acabou fazendo com que fizesse esta homenagem involuntária a este grande compositor que tanto admiro e que tanto ouvi pela vida afora. Toquei “Nem eu”, nas vozes de Ângela Maria (intérprete que celebrizou a canção, em 53) e Cauby Peixoto no programa justamente cujo tema eram as canções transgressoras da MPB. “Nem eu” diz que o amor acontece na vida e que quem o inventou não foi ele, nem sua amada, nem ninguém. É obra do acaso e eles se encontraram. Um primor de filosofia e simplicidade.

E se Caymmi deixou singrar um certo machismo na famosíssima canção “Marina”, em que só porque a mulher resolve se maquiar, ele se zanga e fica de mal com ela – algo natural e típico dos homens de sua geração –, ele, salvo esta exceção, pode ostentar uma obra de fato atemporal. Compondo melodias originalíssimas, recriando temas do folclore baiano, criando letras simples e diretas, sem firulas, com a sabedoria de um “buda nagô”, ele pôde falar do mar, dos pescadores, da mulher, do amor, da sensualidade, do samba e dos sabores e paisagens baianas como ninguém jamais fez ou fará. Com enfoque e vocabulário que não envelheceram de 1939 para cá. Incrível mesmo.

Foi o último dos compositores geniais vivos da fase da modernização e solidificação da MPB, ao lado de Noel Rosa, Ary Barroso, Luiz Gonzaga e Tom Jobim. E foi o mais longevo de todos e o que tem a obra menos numerosa. Sim, era econômico. Fazia poucas e boas. Demorava anos para finalizar uma canção por vezes com meia dúzia de versos. E por isso mesmo, comparativamente, é o que tem mais clássicos por metro quadrado de partituras. De pouco mais de 100 canções, pelo menos a metade todo mundo sabe cantar. Coisa de gênio mesmo. Vamos orar por ele, ouvindo sempre suas canções. É a melhor maneira de fazer com que ele continue vivo em nossa alma.

Rodrigo Faour.
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01.06.2008
A festa apoteótica de lançamento do programa “Sexo MPB”
Terça-feira, dia 27 de maio, rolou uma festa no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes, para lançar o programa “Sexo MPB”. Foi uma noite memorável. Ali, consegui uma coisa que eu sempre quis: reunir artistas de várias gerações e estilos, sem preconceito, num bate-papo divertido e instrutivo sobre aspectos do comportamento em nosso cancioneiro, com direito a canjas deliciosas.
Então, depois de ouvirmos músicas sexy-dançantes escolhidas em comum acordo por mim e meus queridos amigos DJS, Marcel Chappman e Yuri Almeida, começou o tão esperado talk-show. Nem eu nem ninguém imaginávamos que fosse tão, como dizer, apoteótico.

Silvia Machete e Wando – os performáticos
A cantora performática Silvia Machete abriu a noite ao som de “16 toneladas” – velho samba-rock, que foi regravado há alguns anos por Funk Como Le Gusta – e conseguiu a proeza de equilibrar-se num bambolê e ao mesmo tempo acender um baseado (!). Depois cantou duas músicas sensuais ao lado do violonista e compositor Edu Krieger, autor de uma delas. A certa altura disse que daria um CD seu para quem se dispusesse a chupar seu dedão do pé. E ninguém mais ninguém menos que Wando topou a parada. Ele mesmo, o “obsceno” Wando, que em seguida cantou seu hit “Gostosa” para Silvia, numa demonstração viva de que em matéria de carisma a disputa ali era acirrada.



Alfredo Del-Penho e Beth Carvalho – samba da melhor qualidade
Em seguida, o jovem Alfredo Del-Penho deu seu recado. Pedi que ele cantasse um samba que mostrasse o quanto o homem brasileiro gostava de vangloriar-se de ser o grande garanhão (enquanto às mulheres, nada era permitido). Então, cantou e tocou um belo samba de Moreira da Silva e do cômico Zé Trindade, “1.296 mulheres”, de 1952. Em seguida, entoou um dos muitos sambas que se faziam antigamente sobre porrada em mulher: “Lá vem ela chorando”, de Alvarenga, o primeiro samba-enredo da Portela, do começo dos anos 30. Este samba já havia sido gravado por Beth Carvalho, e eis que a rainha do samba – presente na platéia – foi até o palco, explicando o que rola de machismo em nosso samba e que ela sempre lutou muito contra esse problema. Para ilustrar, cantou “Olho por olho”, um samba que ela fez muito sucesso (em 1977) exigindo direitos iguais entre homens e mulheres no quesito fidelidade.



Márcio Gomes, Gottsha e Edu Krieger – novos talentos
Depois da canja luxuosa de Beth, Alfredo continuava no palco, e acabou acompanhando também meu amigo Márcio Gomes, cantor de vozeirão que estou produzindo, no choro “Da cor do pecado” (Bororó), canção emblemática, ícone de sensualidade na MPB pré-bossa nova. Em seguida Gottsha, grande cantriz sempre em cartaz com vários musicais e no ar na novela “Duas caras”, reviveu o samba-canção “Alguém como tu”, outra pérola sensual pré-bossa, mostrando que se quiser pode ter uma bela carreira também de cantora na MPB, ainda que sua praia seja mais a canção americana. E Edu Krieger, chamado por Alfredo, cantou um samba sobre as “damas da noite” de Copacabana.



Miltinho e Ademilde Fonseca – veteranos em forma
Em seguida foi a vez de dois mitos da música brasileira que tive a emoção e a honra de receber no palco: Ademilde Fonseca e Miltinho – 87 e 80 anos, respectivamente. Deram um show de simpatia e ritmo, entoando choros e sambas antológicos, que versavam sobre os temas do show. Ademilde foi de “Doce melodia”, lindo choro de Abel Ferreira com letra de Luiz Antônio que cita velhos bairros de pegação do Rio Antigo (o Leblon e o Joá), e “Pedacinhos do céu” (Waldir Azevedo/ Miguel Lima), ícone do romantismo nacional. Miltinho foi de “Mulata assanhada” (Ataulfo Alves) – uma de nossas muitas musas mulatas – e “Menina-moça” (outra de Luiz Antônio), sambalanço que narrava os perigos da perda da virgindade de uma moça em 1960.



Fátima Guedes, Paulo Padilha e Regina Navarro Lins – os transgressores
Depois foi a vez da craque Fátima Guedes, do talentosíssimo cantor e compositor Paulo Padilha (que veio especialmente de Sampa para o evento) e da sexóloga Regina Navarro Lins subirem ao palco. Era o momento de falar de temáticas transgressoras em termos de amor e sexo. Fátima cantou a sensualíssima “Ele” e em seguida “Condenados”, que critica a fusão de dois em um, e os problemas que isso acarreta numa relação simbiótica e monogâmica. Paulo mostrou “Dia Santo também” – um samba debochado que diz que a namorada só quer dar pra ele segunda e terça-feira, e que nos outros dias dá pro namorado “oficial”. Hilário! Também cantou a bela “Ninguém sabe o que ela quer”, sobre as artimanhas do desejo feminino. Ambas estão em seu CD “Samba delocado, descolado samba” (Dabliú), que eu descobri há um ano e meio quando fui jurado do Prêmio Tim de Música. Regina Navarro, grande inspiradora do meu livro História Sexual da MPB, comentou alguns dos temas, com sua clareza habitual.



As Frenéticas e Ney Matogrosso – as vozes do desbunde
A seguir, viria um bloco para se falar do desbunde dos anos 70. Ney Matogrosso, que queria apenas assistir ao show e não subir ao palco, foi homenageado por mim naquele momento. Dediquei a noite a ele por ser um personagem símbolo desta “história sexual da MPB”, além de ser um dos meus grandes ídolos desde pequeno. E então chamei ao palco As Frenéticas originais – Sandra Pêra, Duh Moraes, Leiloca e Lidoka (Regina e Edyr não puderam ir) – que deram um show de simpatia e ainda cantaram – acompanhadas por Edu Krieger, que foi fisgado para subir ao palco, sem saber de nada previamente – os clássicos “Perigosa” e “Dancin’days”. Ninguém esperava por isso, nem eu. Foi uma maravilha reviver aquele uníssono de vozes que também marcaram o começo de minha vida e a de tantos ali presentes.



Wando – encerramento em clima de motel
Fechando o evento, o inenarrável Wando voltou ao palco para cantar suas músicas deliciosamente eróticas e desbravadoras, como “Moça” – que já se atrevia a falar contra o tabu da virgindade em 75 –, “Emoções” – pioneira canção gay bem resolvida da MPB, de 78, – e o gran finale com “Obsceno” (“Ê, me leva que eu vou com você”), na qual realizou um “teste sexual com a platéia” em forma de música, e o chacundum-chiclete “Fogo e paixão” (“Meu Iaiá, meu Ioiô”), que ninguém resiste. Todos cantaram em coro. Uma noite inesquecível e que, tenho certeza, renderá muitos frutos ainda em minha carreira. È justamente este clima descontraído, gostoso e de alta voltagem sensual que pretendo seguir em meu programa Sexo MPB. Se liguem, hein!




Rodrigo Faour
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20.05.2008
Sexo MPB
Amigos ouvintes,

Estreei ontem o programa "Sexo MPB" e conto com a ajuda de vocês. Há um quadro chamado "Pergunte ao Faour" onde vou tirar dúvidas a respeito de temas ligados a amor & sexo na MPB. Estou muito animado. Acho que vai ser um programa picante, mas com muita informação também. Espero que gostem. Também quero ouvir comentários de vocês sobre os programas que por ventura vocês escutarem, pois é assim que a gente cresce e pode fazer melhor

Beijos,

Rodrigo Faour
PS - Se preferirem mandar alguma pergunta por email: rodrigofaour@mpbbrasil.com
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